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Sobre o filme Panamá

Atualizado em 06/2026

Às vezes penso que algumas pessoas que fazem resenhas de filmes e séries na internet não entendeu metade do que a obra quis passar. Exemplo: outro dia assisti a um filme chamado “Panama” no Globoplay.

Antes dedicar algum tempo do meu dia para a obra, li algumas avaliações e todos diziam que o filme não tem sentido, que não tem final e etc. Dei uma chance e a obra é muito boa. Foge do padrão normal de narrativa por ser sérvio e etc., e é, talvez exatamente por isso, é um filme incrível.

Nem tudo está dito, muitas coisas são subjetivas e precisam ser compreendidas. É um filme para o telespectador raciocinar um pouco e compreender, mas é óbvio e está tudo lá: Em um roteiro explora ciúmes, mentiras e os jogos psicológicos nos relacionamentos modernos, Jovan se envolve casualmente com Maja, acaba obcecado ao descobrir que ela leva uma vida dupla através das redes sociais e então percebe que está apaixonado e decide encerrar sua vida de solteiro.

Ao longo da trama, Jovan passa a vigiar a vida virtual e os passos de Maja e, durante a busca para desvendar o “mistério” de quem ela realmente é e suas motivações, a situação o consome completamente, fazendo com que ele mude seu comportamento, indo de um rapaz desapegado para alguém paranoico e obcecado.

O final, que foge muito do “e foram felizes para sempre” (mesmo que ao lado de outras pessoas), busca provocar uma reflexão. Ele destaca como as inseguranças e a comunicação digital podem distorcer a realidade nos relacionamentos e como as redes sociais, a tecnologia e a pornografia podem obstruir as emoções verdadeiras e a intimidade. A necessidade de controlar o outro gera um ambiente de ilusão e solidão.

A obra não entrega respostas mastigadas e prontas e termina com Jovan vagando em busca de uma verdade e de um “Panamá”, que no filme é usado metaforicamente como um lugar utópico, intocável e de fuga, questionando a natureza dos relacionamentos amorosos na era digital.

Acredito que dizer que uma obra de ficção é ruim, como muitos dizem desse filme, tem a ver com o fato do texto não seguir o rumo que o leitor/espectador gostaria que fosse. Mas, eu sempre defendo a liberdade do criador da trama. 

O fim de “Panama” talvez seja assim. E justamente por ser diferente, o encerramento faz uma amarração poética e bastante reflexiva sobre relacionamentos. Vale muito a pena. 🙂

Publicado emCrônicas

5 Comentários

  1. Carlos Carlos

    Parece o óbvio não é tão óbvio. Passados mais de um ano ele não respondeu ao Anderson que deixou uma indagação em Novembro de 2024.

    • Carlos, eu levo a vida no ritmo da reciprocidade. Ou seja, poderia usar a hostilidade ao responder ao seu comentário, assim como você fez, mas, por se tratar de um espaço público, optei por ter a gentileza que busco cultivar no cotidiano e não te provocar com comentários ou ironias tão nefastas e que só provocam animosidades e toxicidades desnecessárias. Assim, se o texto do comentário do Anderson foi tão importante para você, seja lá qual for o motivo, leia o que escrevi na resposta que preparei para ele. Abs!

  2. Jessica Jessica

    Realmente o filme é uma jóia perdida no Globoplay. Vale cada minuto…Maja é tão obvia e ao mesmo tempo tão misteriosa!!! Romance dos bons e só os amargurados vão botar defeito!!! Rsrsrs Vc ja assistiu “Rio do desejo”??? Tá no Globoplay tbm… recomendo!!! Via na mesma linha do Panama. Nunca vou me esquecer da cena do trio dançando forró… que romace senhores… que romance!!!!!!

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