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Depois de tudo

Já faz alguns anos que tudo aconteceu. Ainda sinto a sua falta, ainda sinto a dor do que você disse e ainda sinto a tristeza pela forma abrupta como tudo aconteceu. Por outro lado, paradoxalmente, não vejo motivo para sentir a sua falta se você, na verdade, nunca me quis por perto. Talvez eu sinta falta daquilo que você significava para mim ou do que eu achava que você representava, e não de você de fato.

Hoje me peguei pensando em coisas que fazíamos juntos, no seu jeito de falar comigo e em momentos que poderiam ter significado alguma coisa e… Bem, vamos falar a verdade: eu odeio a forma como tudo acabou. Não aceito muito bem a forma como fui julgado e as coisas que você disse. Eu sei que dei o meu melhor e não ousei esconder o pior de mim.

Hoje, vivo com o medo de tentar de novo, com a insegurança, com mais um pouco de medo e com o coração partido. Hoje, ainda vivo tentando entender o que fiz de errado, a voltar a acreditar que as coisas podem ser diferentes e a me desvencilhar de um ontem que me machucou tão profundamente.

Hoje, eu vivo tentando desesperadamente não deixar que tudo o que você me disse se transforme em um fardo que talvez eu carregue para sempre. Afinal, eu desisti de te esquecer, mas confesso que queria que sua influência fosse um tanto menor. Sei que a vida continua apesar de tudo. Mas não encontro coragem para continuá-la. O seu julgamento ainda ecoa fortemente nos meus dias, pelos cantos, frestas e horizontes.

Até pensei em desistir, mas essas coisas não são tão fáceis; não se muda essa chave com uma ação ou vontade prática. Impossível deixar de querer algo para o qual parece que vim programado. Confesso que às vezes odeio ter gostado de você. E às vezes odeio ter acreditado em você, assim como odeio ter dedicado o melhor que poderia oferecer a alguém. E também odeio ter acreditado no que você dizia. E talvez essa seja a fonte de toda a dor. Ou talvez não seja nada disso.

Talvez você nunca saiba o quanto de fato me machucou, e desejo que ninguém nunca te machuque como eu fui machucado. Ou talvez não exista um futuro bom, e confesso não conseguir mais acreditar. Não que o futuro com você fosse algo mágico — não sei e nunca esperei isso. Só sei que você acordou em mim uma descrença que eu achava estar morta, mas percebi que, na verdade, ela apenas hibernava.

Por fim, só queria dizer que sobrevivi a muitos fins, assim como sobrevivi ao seu ‘não’. Só ainda não consigo olhar para frente e ver a luz no fim de um túnel que a cada dia parece eterno ou longo o suficiente para parecer nunca ter fim. Talvez você nunca leia isso, e nem sei se gostaria que isso acontecesse. Acho que me expus de forma desnecessária no passado e, curiosamente, hoje sinto que preciso me expor novamente para, talvez, expurgar essa negatividade que me consome.

Talvez você nunca leia isso, e está tudo bem se isso acontecer. Eu só escrevi para tentar amenizar essa confusão que tenho dentro de mim. Eu só escrevi como forma de dizer para alguém o que sinto, o que me aflige e o que me machuca.

Sigo assim, insistindo, persistindo, agindo como um alquimista e transformando a dor e o peso que as mãos já não conseguem carregar sozinho em palavras e ações leves. Talvez o silêncio desta post seja, finalmente, o começo da minha própria liberdade ou, talvez, ainda esteja em queda livre.

Publicado emCartas de Amor Nunca Enviadas

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