Existe uma crença comum de que, para conquistar alguém ou conseguir o que se quer, é preciso dificultar as coisas. O famoso “jogo da conquista”. Mas a verdade é que nem sempre essa estratégia funciona. O grande segredo não está em criar obstáculos, mas em entender como o outro funciona.
Se você não compreende a engrenagem emocional de quem está à sua frente, pode acabar “com os burros n’água”. Para muita gente, o excesso de mistério ou aquele eterno “chove não molha” simplesmente tira a graça. E não é por falta de interesse real; é porque a necessidade daquela pessoa caminha em outra direção.
O perigo da leitura errada
Quando você joga demais, a mensagem que chega do outro lado pode ser bem diferente da que você pretendia passar. Em vez de parecer “interessante” ou “difícil”, você pode ser lido como alguém indeciso, desinteressado ou que não sabe o que quer.
O ser humano não vem com manual de instruções, e o erro mais cruel que podemos cometer é tentar balizar todo mundo pelo mesmo patamar, achando que a técnica que funcionou com um, funcionará com todos.
A lição do videocassete
Lembro-me de quando minha mãe comprou um videocassete, há muitos anos. Ele tinha uma configuração especial, uma etapa de inicialização obrigatória para que funcionasse 100%. Como eu já estava acostumado a lidar com aparelhos parecidos, ignorei o cuidado inicial, pulei etapas e não li as instruções. Resultado? Tive que resetar tudo porque o aparelho não funcionava como deveria.
Na vida e nos relacionamentos, fazemos exatamente a mesma coisa. Por estarmos “acostumados” a lidar com pessoas, paramos de observar as particularidades de quem está chegando agora. Ignoramos que cada indivíduo tem sua própria “configuração”.
Diálogo: o único manual possível
Já que não temos um manual impresso, nossa única ferramenta é a observação e o diálogo.
Para quem gosta de jogar, fica a lição: se você tentou uma estratégia e percebeu que a pessoa ficou incomodada, pare. Entenda que aquela “frequência” não funciona com ela.
Para quem recebe o jogo, outra lição: se você sente que o outro está fazendo joguinhos e isso te desagrada, dê um toque. Seja direto: “Olha, percebi que está acontecendo assim, mas eu prefiro transparência”.
No fim das contas, o cuidado deve vir dos dois lados. Entender o funcionamento do outro não é uma tarefa passiva; é um exercício diário de escuta e ajuste. Afinal, a conexão real só acontece quando a gente para de tentar “ganhar o jogo” e começa a tentar entender o outro.

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