Águas de Março – Capítulo 09

– O que você descobriu, Valentim? – indagou Cesar.

– Todas, sem exceção, são artistas. Veja só…

Cesar foi até o computador de Valentim e começou a avaliar a tabela que ele tinha montado.

– Será que temos um padrão de vítimas?

– Não sei, Cesar. Artista é muito amplo. E a última, pelo que os familiares falaram, era modelo. Não sei se modelo pode ser considerada artista.

– Bem, talvez sim. Pode ser que ela era modelo e atriz. Pelo menos já temos uma pequena pista.

– Cesar, eu estou exausto! Vou para casa descansar.

– Aaaaah! Finalmente você sucumbiu ao cansaço! – disse Cesar.

– Sim. Não aguento mais por hoje.

– Vá para casa, Valentim! Aliás, vou aproveitar e ir para casa também. Já passou de meia noite e ontem não choveu nada. A noite está bem quente e merece uma cerveja antes de dormir.

Os dois saíram juntos e se despediram no estacionamento. Horas depois, já no final da manhã, Cesar chegou e encontrou Valentim trabalhando.

– Já por aqui, cara?

– Acabei de chegar, Cesar. Aliás, temos uma novidade: o nosso assassino não fez nenhuma vítima ontem. Ou pelo menos nada foi localizado ainda.

– Ué… Estranho! Será que ele cansou e resolveu tirar uma folguinha? – disse Cesar.

Os dois começaram a rir e logo depois voltaram ao trabalho.

Enquanto isso, Ivan, em casa, trabalhava com uma série de anotações sobre o caso tentando descobrir algo desde a madrugada.

– Nada faz sentido! Um serial killer que mata cada vítima de um jeito: pau, pedra, tiros, toco de madeira… Não consigo entender!

O cansaço então bateu. Ele tomou um banho e deitou para dormir. Acordou por volta de seis da tarde com uma chuva forte caindo. Ele então levantou, vestiu uma roupa, pegou um guarda-chuva e foi até um mercado próximo. Comprou chocolates, refrigerante e comida congelada.

“Assim você nunca vai ter um corpo legal e conquistar alguém”, ele ouviu uma voz parecida com a de Mônica dizer.

– Ah, foda-se! – disse ele.

Depois, voltou para casa e novamente se debruçou sobre o caso. Enquanto isso, Mônica chegava no estúdio para gravar uma entrevista com um psicanalista, que seria veiculada na próxima edição do “Tarde Vida”:

– O senhor acredita que estamos falando de um serial killer? – quis saber a jornalista.

– Olha, ainda é cedo para falarmos, mas possivelmente sim. Só o tempo dirá, ou quando ele for preso. – respondeu o especialista.

Quando terminou a entrevista, Mônica agradeceu a participação e foi para o camarim. Pegou o celular e ameaçou ligar para Cesar. Depois, foi para casa e ligou a TV para assistir alguma coisa e se distrair.

Ivan, em casa, já por volta de nove horas, se levantou, cansado de trabalhar sobre o caso. Recebeu então uma mensagem de Mônica questionando sobre a investigação paralela que ele estava fazendo:

“Ainda não tenho nada. Porém, parece que o assassino não gosta de repetir nenhuma forma de matar. Cada uma foi morta de um jeito diferente.” – respondeu ele.

“Vamos falar sobre isso na segunda-feira”. – ela respondeu.

Mônica abriu um vinho e, enquanto tomava uma taça, ficou pensando na repercussão da entrevista que havia feito:

– Isso vai balançar a investigação e me dar alguns pontos de audiência maravilhosos! Ah, Mônica! Que ótima ideia você teve!

Enquanto isso, na delegacia, os dois policiais conversavam sobre a pausa que o assassino havia dado:

– É muito estranho, Cesar! Ele matou uma mulher por dia até antes de ontem. E ontem não fez nenhuma vítima.

– Trabalhou sete dias e descansou no oitavo. Todo mundo merece uma folga e ele deve estar bem cansado! – ironizou Cesar.

– Será que finalmente ele parou de matar?

– Ainda é cedo. Torço para que sim, pois assim pelo menos podemos investigar em paz. Quanto mais vítimas, mais pressão pública e mais pressão interna para encontrarmos o assassino ou pelo menos evitarmos as mortes. Aliás, Valentim, você sabe se alguma vítima recebeu alguma coisa estranha antes de morrer? Isso pode ser um sinal.

– Não receberam nada. Perguntei para todos os parentes e nada.

Cesar suspirou triste.

– É, vamos continuar que em breve a gente consegue descobrir algo nisso tudo.

Enquanto isso, na casa de Ivan, ele assistia a um programa de entrevistas e rindo muito. De repente, ele ouviu um barulho muito forte vindo da rua e foi até o quarto. Ele se vestiu rapidamente e saiu de casa. Viu um tumulto em um beco próximo e foi até lá acreditando ser alguma briga ou discussão de um casal de vizinhos que quase sempre brigavam.

Quando chegou lá, encontrou todo mundo gritando muito. Ele lutou contra multidão e por fim conseguiu chegar até o local onde estava o motivo da confusão. Ele tentou pegar o celular e percebeu que estava sem o aparelho. Foi correndo até em casa, pegou o telefone e ligou para Cesar:

– Hoje o jogo virou, Cesar! Você precisa vir até minha casa.

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