Ao observar a reação de Jason Miller, ex-conselheiro de Trump, à fala do presidente Lula, é impossível não sentir uma certa nostalgia.
Não se trata de um saudosismo vazio ou da crença de que o passado era perfeito, mas sim de uma falta genuína da época em que o respeito prevalecia sobre o confronto gratuito.
Houve um tempo — pasmem os leitores mais novos — em que opiniões divergentes eram tratadas apenas como divergências, e não como combustível para reações viscerais e ataques infantis.
Hoje, vivemos sob a ditadura da “claque” e do algoritmo. As redes sociais parecem exigir recortes agressivos e reações acaloradas para alimentar bolhas, mas, na prática, o que isso muda na vida do cidadão? Absolutamente nada.
Os problemas reais — como a crise de saúde pública, a fome e a questão dos moradores de rua nos Estados Unidos — permanecem intactos e sem solução aparente. Não é um recorte ou uma reação exagerada para as redes sociais que resolverá essas feridas.
É lamentável ver uma figura outrora tão influente abandonar o decoro para atacar um chefe de Estado eleito democraticamente.
A democracia, aliás, é um valor que os Estados Unidos tanto pregam e que se fez valer nas eleições brasileiras, independentemente de ideologias ou teorias conspiratórias.
Infelizmente, o que vemos agora é uma política infantilóide: um nível de debate tão profundo quanto um pires, que mais parece briga de pátio de escola.
É o cenário onde a agressividade substitui a competência e o espetáculo vazio ocupa o lugar das pautas que realmente importam para a sociedade.

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