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O homem, o mosquito, a vingança e a ruína

Era uma vez um pequeno mosquito que voava serelepe em uma sala de estar. Em seu trajeto, pousava alegremente em um humano do sexo masculino que trabalhava avidamente em um relatório que precisava entregar ao seu chefe ainda naquele dia.

Sem qualquer noção de nada, o minúsculo inseto resolveu interagir com o evoluído primata que, por sua vez, irritado com a interrupção, deu-lhe um safanão na tentativa de impedir contatos e interrupções.

O mosquito, obstinado e, talvez, até querendo se vingar, tentou por mais alguns instantes, pousou na testa do homem e na tela do computador. O outro, irritado, tentava espantar o incômodo visitante voador com mão, mas sem sucesso.

Ainda desejoso por incomodar, ele voou algumas vezes em volta do humano até que, exausto, decidiu descansar em cima de uma almofada do sofá.

Alguns vários minutos depois, o mosquito, ao perceber que o humano tinha perto de si um copo que vira a mexe colocava na boca, imaginou que ali fosse a fonte de algum néctar dos deuses e resolveu provar.

Na verdade, o copo tinha apenas água mas o ganancioso animal fantasiou ser algo valioso, ludibriado pela luz que o copo emanava, reflexo da forte lâmpada que iluminava o ambiente.

Aproveitando um momento de distração, voou até o utensílio, pousou em sua borda, avaliou a distância até o líquido e começou a descer calmamente enquanto, com suas centenas de omatídeos, monitorava o homem que pouca ou nenhuma atenção dava ao minúsculo inseto.

Para quem não sabe, os mosquitos possuem dois “olhos compostos”, digamos assim, formados por centenas de minúsculos “olhinhos” chamados omatídeos. Eles atuam em conjunto e garantem ao inseto uma visão ampla e altamente sensível a movimentos.

Voltando à história, o frágil animal chegou ao fundo do copo, provou da água e achou o líquido sem graça e insosso. “É isso que ele não para de ingerir como se fosse o néctar dos deuses?”, teria pensado o inseto.

Entretanto, talvez ainda encantado com a luz que o copo refletia quando visto de fora, ele continuou explorando o espaço, certamente à procura daquela fonte mágica que o enfeitiçara.

De repente, o humano virou para pegar o copo e viu o mosquito dentro dele, explorando não sei o quê e sem prestar atenção em qualquer movimento externo.

Ele, então, colocou a mão nas bordas do utensílio e lacrou qualquer saída possível para o animal. Chacoalhou a água, o que fez com que o inseto caísse no líquido.

Desesperado, o mosquito tentou alçar voo, mas o movimento da água impedia qualquer tentativa de fuga. Ele então percebeu que a “porta” por onde passara agora estava fechada. Sem saber o que fazer, continuou sendo jogado de um lado para o outro pela água até que os movimentos bruscos pararam e a água se tornou menos ameaçadora.

Do lado de fora do copo, o homem caminhou até o banheiro e abriu a privada. Ele tirou a mão das bordas e derramou o líquido dentro do vaso.

Quando o inseto percebeu que a tal porta havia se aberto, respirou aliviado. Porém, um segundo depois, ele percebeu outro movimento: o do copo virando de cabeça para baixo e viu o líquido empurrá-lo para baixo, em um local maior, branco e com mais água ainda.

Amedrontado, tentou reagir, mas foi tarde: o homem acionou a descarga e o mosquito foi jogado no sistema de esgoto do condomínio onde morava. Seu minúsculo corpo, ao chegar na caixa de gordura, já estava sem vida e se misturou a todo o resto que estava lá.

Morais da história:

1) a vingança, definitivamente, é um prato que se come frio.
2) a ganância e a ilusão podem nos levar à própria perdição.

Publicado emContos

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