Vi alguns posts no LinkedIn sobre “demissão não-dita”. Ela acontece quando um gestor, ou gestora, opta por excluir, desvalorizar e isolar uma pessoa que está prestes a ser demitida ou que simplesmente não se quer mais na equipe e, agindo de tal forma, acaba por ‘cavar’ (justificar) uma demissão.
Eu vivi esse processo na prática por duas vezes e posso garantir o quanto isso mina a autoconfiança e nos deixa vulneráveis, fazendo com que a “Síndrome do Impostor” (quando cultivamos a ideia de que nossa carreira é uma fraude) alcance níveis altíssimos.
E mesmo o estar com a “terapia em dia”, infelizmente, não é suficiente para muita gente.
Liderar pessoas de forma justa e empática é mais do que o tripé “missão-visão-valores” em um documento fixado na parede ou em destaque na intranet ou site, por exemplo.
Também não é preciso internalizar ou vivenciar o que determina essa tríade. O caminho é mais árduo: é preciso ser o que se diz no tal “missão-visão-valores”, e “ser” diz respeito a estar amarrado com uma verdade de forma que pensemos: “e tem outra forma de agir”?
Liderar pessoas de forma justa e empática é ser humano, é entender que na sua frente está uma pessoa que por qualquer motivo está vivendo alguma vulnerabilidade.
Já ouvi discursos de que “liderar assim é colocar o coração no lugar do cérebro”. Discordo e explico o porquê: liderar assim é fazer o coração e o cérebro trabalharem de maneira consonante.
Liderar pessoas de forma justa e empática é ter estratégia gentil, equilibrando o fator respeito com a necessidade da busca por resultados. Isso faz com que as cobranças façam parte da rotina de trabalho e não o contrário.
A opção por excluir uma pessoa é um desserviço e absolutamente injustificável, colocando quem promove o ato em uma posição questionável e que deveria promover um alerta a respeito da necessidade de avaliação e treinamento de quem segue esse caminho.
Um verdadeiro líder não persegue um profissional que não quer mais na equipe ou que, por qualquer outro motivo, está a um passo de ser desligado por determinações alheias à sua vontade.
Perseguir uma pessoa, aliás, tem um quê de crueldade e pode demonstrar até mesmo traços de psicopatia.
E pessoas assim também precisam estar com a terapia em dia.

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